O que Disney+, Outback e Grupo Locale estão ensinando sobre relacionamento com clientes
Conquistar um novo cliente custa tempo, investimento, mídia, estratégia comercial e energia.
Depois de todo esse esforço, uma pergunta deveria ganhar tanto espaço quanto a aquisição: o que a sua empresa faz para continuar relevante depois que a venda acontece?
Durante muito tempo, boa parte das estratégias comerciais foi construída em torno de um ciclo bastante previsível: atrair, converter, vender — e começar tudo novamente.
Mas algumas das maiores marcas do mercado estão olhando para essa lógica de outra maneira.
Em vez de tratar a venda como o ponto final da jornada, elas estão criando novos motivos para que o cliente continue conectado à marca entre uma compra e outra.
Benefícios, experiências, parceiros, vantagens exclusivas, aplicativos e ecossistemas de relacionamento estão começando a ocupar esse espaço.
Os exemplos de Outback, Disney+ e Grupo Locale são diferentes em formato, segmento e estágio de maturidade. Mas existe algo importante em comum entre eles:
A transação acontece. A relação continua.
E talvez esteja aí uma das principais oportunidades para empresas que já construíram uma base de clientes, associados, colaboradores ou membros.

O novo desafio das marcas não é apenas vender novamente
É natural pensar em relacionamento com clientes como uma maneira de estimular recompra. Mas essa é apenas uma parte da equação.
Entre uma compra e outra existe um período em que o cliente pode simplesmente deixar de ter contato com a empresa. Quanto maior esse intervalo, maior também o espaço para concorrentes, novas ofertas e outras marcas ocuparem sua atenção.
Por isso, programas de relacionamento mais modernos começam a assumir uma função mais ampla: criar pontos de contato recorrentes, mesmo quando o cliente não está necessariamente pronto para realizar uma nova compra.
Uma vantagem em um restaurante. Um benefício relacionado a entretenimento. Uma experiência especial. Uma oferta de um parceiro. Um serviço que complementa o produto original.
Cada uma dessas interações pode funcionar como uma pequena lembrança de valor. E é exatamente essa lógica que começa a aparecer nos movimentos de algumas grandes marcas.

Outback: quando o relacionamento passa a fazer parte do ecossistema da marca
Um dos exemplos mais interessantes é o Outback.
O Clube Outback foi integrado ao recém-lançado aplicativo Meu Outback, conectando diferentes momentos da jornada do consumidor. Pedidos pelo aplicativo, retirada e consumo presencial podem fazer parte de um mesmo histórico de relacionamento.
No primeiro mês, o aplicativo ultrapassou 100 mil membros, ficando 48% acima da meta de cadastros estabelecida pela empresa. As vendas realizadas pelo aplicativo chegaram a 4,4 vezes a meta inicial, enquanto o ticket médio ficou 31% acima do observado em outras plataformas.
Os números chamam atenção. Mas talvez o aprendizado mais importante não esteja apenas nos percentuais. Está na arquitetura criada em torno do cliente.
O aplicativo deixa de funcionar exclusivamente como um canal transacional e passa a concentrar relacionamento, histórico, benefícios e oportunidades de consumo. Em outras palavras: o cliente não precisa desaparecer depois de pagar a conta.
A marca cria uma razão para que ele continue dentro do seu ecossistema.
É importante, entretanto, fazer uma leitura responsável dos resultados. Os dados divulgados mostram a forte tração do novo aplicativo e do ecossistema criado pela companhia. Eles não significam que o clube, isoladamente, tenha sido responsável por todo o crescimento observado. O próprio comparativo divulgado pela empresa considera as metas estabelecidas para o aplicativo.
Ainda assim, o movimento revela uma direção bastante clara: relacionamento está deixando de ser apenas comunicação e começando a fazer parte da infraestrutura comercial das empresas.

Disney+: como entregar valor mesmo quando o cliente não está assistindo
O caso do Disney+ ajuda a ampliar ainda mais essa discussão.
Em maio de 2026, a companhia lançou no Brasil o Disney+ Benefícios, com uma proposta interessante: fazer com que o valor da assinatura pudesse existir também fora da própria plataforma de streaming.
Poucos meses depois, o programa já reunia benefícios envolvendo marcas como Mercado Livre, Renner, McDonald’s, Spotify, 99, 99Food e Cinemark.
Observe a mudança de perspectiva. O produto principal continua sendo streaming. Mas o relacionamento não precisa ficar restrito ao momento em que o consumidor abre o aplicativo para assistir a uma série ou filme.
O ecossistema de benefícios cria outros pontos de contato com a assinatura. É uma maneira de responder a uma pergunta importante: como aumentar a percepção de valor de algo que o cliente já comprou?
A Disney não divulgou publicamente números absolutos de usuários do programa, taxas exatas de retenção ou volume de benefícios utilizados. Ainda assim, informou que, em apenas nove semanas, o programa já havia ultrapassado a meta de participação prevista para o encerramento do ano fiscal.
A companhia também relatou que usuários que utilizam os benefícios tendem a permanecer mais tempo no serviço e consumir mais conteúdo, embora os percentuais específicos não tenham sido divulgados.
Isso é particularmente relevante porque mostra que um programa de relacionamento não precisa necessariamente estar ligado a descontos no próprio produto da empresa. Ele pode ampliar o valor percebido da relação.
O cliente passa a enxergar a assinatura não apenas como acesso a conteúdo, mas como uma porta para outras vantagens. E quando uma marca passa a fazer parte de mais momentos da vida do cliente, existe uma chance maior de ela continuar sendo lembrada.
Club Locale: transformar frequência em relacionamento
Outro movimento recente vem do Grupo Locale.
Em setembro de 2026, o grupo lançou o Club Locale, conectando cinco de suas operações: Locale Caffè, Locale Trattoria, Oguru, Exímia e Go by Oguru, presentes em São Paulo, Campinas e Porto Alegre.
A proposta é transformar frequência de visitas em benefícios, experiências e ativações exclusivas. O lançamento também incorporou parceiros externos, incluindo Heineken, Academia Six e Mistral Vinhos.
Aqui, existe um detalhe importante. Por ser um programa recém-lançado, ainda não existem resultados públicos consolidados de incremento de vendas, frequência ou número de participantes.
E isso não reduz o valor do case. Na verdade, ele ajuda a mostrar outra parte dessa tendência.
O Grupo Locale está construindo uma estrutura que permite que diferentes marcas de seu portfólio conversem com a mesma base e que parceiros externos ampliem o universo de benefícios oferecido.
É o conceito de relacionamento funcionando como ecossistema. O restaurante continua sendo o centro da relação. Mas a experiência do cliente pode ultrapassar a mesa.
Três empresas diferentes. Uma mesma mudança de lógica.
Quando colocamos os três movimentos lado a lado, fica mais fácil perceber o que está acontecendo.
O Outback conecta clube, aplicativo e comportamento de compra. O Disney+ utiliza benefícios externos para ampliar a percepção de valor de uma assinatura. O Grupo Locale reúne diferentes operações e parceiros em torno de uma estrutura compartilhada de relacionamento.
Não significa que os três modelos sejam iguais. Também não significa que qualquer empresa deva simplesmente copiar essas estratégias.
O ponto é outro: grandes marcas estão criando infraestrutura para continuar conversando com pessoas que já compraram delas.
Durante anos, muitas empresas investiram quase toda sua energia em aumentar o topo do funil: mais anúncios, mais leads, mais alcance, mais campanhas e mais aquisição.
Mas existe outro ativo dentro da empresa que muitas vezes recebe menos atenção: a base que já foi conquistada.
Clientes. Assinantes. Associados. Colaboradores. Parceiros. Membros. Pessoas que já conhecem a marca e que, em algum momento, já disseram “sim” para ela.

O valor da base que sua empresa já possui
Uma base de clientes não é apenas um arquivo de contatos. Ela representa confiança acumulada.
Cada pessoa que já comprou de uma empresa atravessou uma barreira que um novo lead ainda não atravessou: conheceu a marca, considerou sua proposta, tomou uma decisão e realizou uma transação.
Por isso, existe uma pergunta estratégica que merece ser feita: o que essa pessoa recebe da empresa entre uma compra e outra?
Em muitas organizações, a resposta ainda é basicamente promoções, campanhas, e-mails de venda e mensagens tentando gerar uma nova conversão.
Mas relacionamento pode ser muito maior do que isso. Uma empresa pode continuar gerando valor mesmo quando não está tentando vender alguma coisa naquele exato momento.
É nesse ponto que benefícios, vantagens e parcerias podem se transformar em uma ferramenta de relacionamento.
Clube de vantagens não precisa significar apenas desconto
Existe uma associação comum entre clubes de vantagens e cupons. Mas essa visão é limitada. O desconto é apenas uma das possibilidades.
Um programa bem estruturado pode combinar benefícios próprios da empresa, vantagens oferecidas por parceiros, experiências exclusivas, condições especiais, serviços complementares, campanhas segmentadas, ativações para determinados públicos e benefícios relacionados ao perfil da base.
Quando isso acontece, o clube deixa de ser apenas uma página de ofertas. Ele passa a funcionar como uma camada de relacionamento entre a empresa e sua comunidade.
E quanto maior a relevância dos benefícios para aquele público, maior a possibilidade de o programa fazer parte da rotina dos usuários.

O que uma pequena ou média empresa pode aprender com esses cases?
O principal aprendizado não é “faça o mesmo que a Disney”, nem “construa um aplicativo igual ao Outback”, muito menos “copie o Club Locale”.
A lição é mais simples e, ao mesmo tempo, mais poderosa: pense no que acontece com o cliente depois que ele compra de você.
Empresas relevantes estão investindo em estruturas capazes de prolongar o relacionamento além da transação.
A partir daí, algumas perguntas começam a fazer sentido: sua empresa possui uma base de clientes ativa? Existem períodos longos entre uma compra e outra? Existem parceiros que atendem ao mesmo público, mas oferecem produtos diferentes? Sua marca poderia entregar benefícios relevantes fora do seu próprio portfólio? Existe uma oportunidade de criar mais pontos de contato com essa base?
Se a resposta para algumas dessas perguntas for positiva, provavelmente existe espaço para estruturar melhor essa relação.
E é aqui que a tecnologia muda o jogo
Há alguns anos, construir esse tipo de estrutura significaria desenvolver praticamente tudo internamente: aplicativo, sistema de cadastro, regras de utilização, integrações, gestão de benefícios, rede de parceiros, atualização das ofertas, controle de acesso e manutenção tecnológica.
Para muitas empresas, o projeto simplesmente não faria sentido econômico.
Mas esse cenário mudou. Hoje é possível trabalhar com uma infraestrutura pronta e personalizá-la com a identidade da própria empresa.
É justamente essa a proposta da Loop+.
A empresa pode licenciar uma estrutura de Clube de Vantagens personalizada com sua marca, integrar benefícios próprios, incluir parceiros do seu ecossistema e utilizar uma rede de vantagens pronta para ampliar o valor entregue aos seus públicos.
Em vez de começar desenvolvendo tecnologia, a empresa pode começar pensando naquilo que realmente importa: qual valor queremos continuar entregando para nossa base?

Você não precisa ser a Disney para pensar como a Disney
Talvez esse seja o maior aprendizado desses movimentos.
Estratégias de relacionamento deixaram de ser privilégio de empresas capazes de investir milhões na construção de plataformas próprias.
A tecnologia pode ser contratada. A infraestrutura pode ser licenciada. Os parceiros podem ser conectados.
O que não pode ser terceirizado é a decisão estratégica de valorizar a relação com quem já escolheu sua empresa.
“Você não precisa se tornar uma empresa de tecnologia para se relacionar com a sua base como as grandes marcas fazem.”
A venda aconteceu. E depois?
Se você já possui uma base de clientes, associados, membros ou colaboradores, sua próxima oportunidade talvez não esteja apenas em conquistar novas pessoas. Pode estar em entregar mais valor para quem já está com você.
Perguntas frequentes
O que é um programa de relacionamento com clientes?
É uma estrutura criada para manter a empresa relevante para sua base depois da transação, oferecendo novos pontos de contato por meio de benefícios, experiências, parceiros, conteúdo, serviços ou outras formas de valor.
Clube de vantagens é a mesma coisa que programa de fidelidade?
Não necessariamente. Um clube de vantagens pode fazer parte de uma estratégia de fidelização, mas não precisa depender de pontos ou recompensas por compra. Ele pode reunir benefícios próprios e de parceiros para ampliar a percepção de valor da relação.
Um clube de vantagens serve apenas para grandes empresas?
Não. O aprendizado dos cases está na lógica de relacionamento, não no tamanho da marca. Com infraestrutura licenciada, empresas podem estruturar um clube sem desenvolver toda a tecnologia do zero.
Quais resultados Outback, Disney+ e Club Locale divulgaram?
O Outback informou mais de 100 mil membros no primeiro mês do novo aplicativo, vendas pelo app de 4,4 vezes a meta inicial e ticket médio 31% superior ao de outras plataformas. O Disney+ informou que a meta de adesão prevista para o fim do ano fiscal foi superada em nove semanas, sem divulgar percentuais de retenção. O Club Locale era recém-lançado no momento do levantamento e ainda não tinha números públicos de resultado.
Em quanto tempo um Clube Loop+ pode entrar no ar?
Segundo o escopo apresentado pela Loop+, uma implantação padrão e aplicável pode estar no ar em até 5 dias úteis, sem que a empresa precise desenvolver uma plataforma de Clube de Vantagens do zero.
Conheça a Loop+
A Loop+ permite que empresas tenham seu próprio Clube de Vantagens personalizado, com identidade da marca, benefícios próprios, parceiros e uma rede de vantagens pronta para utilização.
Em projetos dentro do escopo padrão, a solução pode ser colocada no ar em até 5 dias úteis, sem que a empresa precise desenvolver uma plataforma do zero.
Transforme sua base em uma comunidade ainda mais conectada à sua marca.

